Indicadores físicos, químicos e biológicos da qualidade do solo em sistemas agroflorestais e na árae de preservação ambiental – Serra da Mantiqueira, MG

Autor: Flora Ferreira Camargo Publicado em: 2016

A Área de Preservação Ambiental (APA) Serra da Mantiqueira compreende um ecossistema considerado prioritário para a conservação da biodiversidade e constantemente ameaçado pela pressão antrópica. A inserção dos sistemas agroflorestais (SAFs) agroecológicos em unidades agrícolas vem melhorando os meios de subsistência, reduzindo a pressão sobre os ecossistemas protegidos e integrando a conservação da paisagem. Contudo ainda há escassez de informações a respeito desses modelos. Objetivou-se avaliar a qualidade do solo desse modelo na região a fim de constituir ferramenta que possa auxiliar na tomada de decisão para sua implantação pelos agricultores. Foram conduzidos dois estudos independentes: um que procurou caracterizar esse modelo como unidade produtiva de referência, visando contribuir para sua difusão na região; e outro em que foram avaliadas as alterações nos atributos dos solos desses sistemas. Foram avaliados dois SAFs com três e seis anos de implantação, comparando-os com cultivo de oliveira, pastagem e área e regeneração natural dominada por samambaias, tendo como sistema de referência a floresta nativa, por fim foram gerados índices para estimativa da qualidade do solo dessas áreas, construídos pelo método desenvolvido por Velásquez, Lavelle e Andrade (2007). Para os atributos, foram realizadas análises de rotina e para as correlações entre estes e os sistemas de manejo foram utilizadas técnicas multivariadas. Com base nos resultados dos atributos físicos, os SAFs apresentaram boa qualidade do solo em relação ao sistema de referência, notadamente, a densidade do solo e a estabilidade de agregados. Para os atributos químicos, pode-se inferir que o nível de fertilidade referente ao teor de matéria orgânica nos SAFs aproxima-se do sistema de referência indicando os benefícios do manejo agroecológico em questão. A análise de agrupamento relacionada aos atributos químicos e físicos do solo indicou uma tendência desses sistemas em atingir a sustentabilidade. O SAF com seis anos propiciou condições mais próximas do ambiente de referência para a colonização de grupos da fauna edáfica que apresentaram maior capacidade de transformação e resiliência dentro desse sistema. O maior índice de qualidade do solo foi apresentado pela floresta nativa seguido pelo SAF com seis anos. Portanto pode- se concluir que os SAFs têm capacidade de aumentar a qualidade do solo nessa região aproximando-se da condição de referência ao longo do tempo. O manejo e implantação deste modelo de SAF demonstraram potencial para restauração da qualidade do solo, podendo substituir, como modelo de produção sustentável, as áreas dominadas por Pteridium na APA Serra da Mantiqueira.

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