Produção agroecológica de sementes – Orgânicos das APAs Bororé-Colônia e Capivari-Monos

Autor: Vladimir Ricardo da Rosa Moreira - Engenheiro Agrônomo Publicado em:

Introdução

A produção de sementes é uma atividade que vem sendo desenvolvida ao longo do tempo a partir do processo de domesticação das plantas pelo homem, e sua importância é tanto, que as sementes são consideradas “patrimônio dos povos a serviço da humanidade”.

A evolução das plantas cultivadas foi sendo desenhada nos mais diversos locais do mundo e muitas espécies de interesse agrícola apresentam hoje uma grande dependência do trato dos agricultores, assim como a humanidade depende destas espécies para a sua sobrevivência.

Durante mais de 10 mil anos a produção de sementes teve nos povos indígenas, nativos, e agricultores seus principais benfeitores, os quais foram adaptando as diversas espécies e variedades a suas necessidades e ao ambiente local. O processo de produção de sementes foi conduzido de forma dinâmica desde a domesticação até a modernização da agricultura.
O processo de modernização da agricultura é recente. Na modernização da agricultura foi buscada a uniformização dos cultivos, incialmente facilitando a mecanização, posteriormente ocorreu a criação das sementes híbridas seguidas pelo uso de adubos químicos e de biocidas (agrotóxicos).

O nome do casamento do uso de maquinários, sementes híbridas, adubos químicos e biocidas se chama pacote tecnológico. Assim foram sendo criadas também as empresas de produção de sementes e empresas de agrotóxicos, guiadas pelas instituições de pesquisas e de extensão rural (ater) que fomentaram o uso dos artifícios criados.

Por fim os pacotes tecnológicos foram atrelados ao crédito bancário, e assim para um agricultor ser considerado “moderno” precisava utilizar todo o pacote tecnológico à disposição. Ao conjunto desta obra a partir da Segunda Grande Guerra deu-se o nome de “Revolução Verde”. A Revolução Verde veio em decorrência, segundo os criadores dos pacotes tecnológicos, para aumentar a produção de alimentos, pois, a tendência da população era um crescimento elevado, e ocorreria então a falta de produtos alimentícios à disposição.

Esse processo realmente trouxe um incremento na produtividade das culturas, pois a demanda de alimentos cresceu muito, mas junto a ele vieram também problemas da ordem ambiental e social, como a poluição da água e da atmosfera pela agricultura, o envenenamento de agricultores e consumidores, o endividamento dos agricultores e o êxodo rural.

A partir dos anos 90 iniciou-se a segunda fase da Revolução Verde pela técnica de recombinação genética através da criação dos OGMs (Organismos Geneticamente Modificados). Os OGMs na agricultura se dão principalmente pelo uso das sementes transgênicas. Novamente o que está em jogo, segundo as empresas que detêm o poder da transgenia é que ocorrerá a falta de alimentos, pois a população cresce em um ritmo desenfreado e a solução são as plantas transgênicas. Sabe-se hoje que todos os adventos de transgenia são casados com pacotes tecnológicos, ou seja, as sementes transgênicas são casadas com a venda de biocidas, os quais as próprias empresas produzem, ficando os agricultores dependentes de um novo pacote tecnológico, assim como passíveis de pagamento de royalties pelo uso do evento (como é chamado a semente transgênica).
É impossível entender um sistema agrícola como uma forma de arranjo cartesiano e estático, como ocorre com a agricultura convencional nos dias de hoje.
A agricultura deve ser observada através de uma forma holística, com sistemas múltiplos, diversos e dinâmicos, e para isso a agroecologia possui papel fundamental para sanar as deficiências do meio ambiente com relação à devastação causada pela agricultura convencional, assim como para sanar as pessoas através de uma alimentação saudável e de alto valor biológico.

Neste sentido, o resgate do saber popular aliado a técnicas de agricultura de base ecológica assumem papel fundamental e para tanto a produção de sementes é extremamente importante dentro desta lógica.

A agricultura de base ecológica apresenta hoje um crescimento muito grande e atinge taxas de 20% ao ano. A legislação de produção orgânica do Brasil através da lei de produção orgânica (lei 10.831/03) regulamentada em dezembro/2008 descreve que a partir do dia 21 de dezembro de 2013, a produção orgânica devera ser realizada a partir de sementes orgânicas em detrimento ao uso de sementes convencionais, como acontece atualmente.

Um dos problemas é a falta de sementes orgânicas a disposição dos agricultores no mercado. Para tanto, a capacitação dos agricultores para a produção própria das sementes nas unidades produtivas, torna-se extremante importante e pensando nisso o Instituto 5 Elementos, organizou no dia 29 de janeiro de 2012 uma capacitação em produção de sementes com o grupo de Parelheiros no município de São Paulo (SP).

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